Leitura e censura de Camões em O Ateneu de Raul Pompeia
DOI:
https://doi.org/10.37508/rcl.2026.nEsp.a1482Palavras-chave:
Literatura brasileira, século XIX, Raul Pompeia, O Ateneu, CamõesResumo
Este artigo analisa a presença de Os Lusíadas em O Ateneu (1888), de Raul Pompeia, articulando leitura, censura, cultura material e recepção do épico no contexto escolar do Brasil oitocentista. A partir da tensão entre a lusofobia do autor e a centralidade de Os Lusíadas no romance, demonstra-se que a epopeia camoniana é apropriada por inversão paródica, deslocando-se do modelo épico-didático para uma zona de pornografia e ambiguidade moral. Preliminarmente, o estudo privilegia uma edição escolar censurada de Os Lusíadas, preparada pelo pedagogo Abílio César Borges em 1879, avaliando em que medida certas práticas editoriais se confundem com a literatura pornográfica. Em seguida, o artigo se concentra em O Ateneu, para observar como essas intervenções e ambiguidades editoriais e literárias ressoam no interior do romance.
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