Autobiographie inédite de Martha Freud, par Teolinda Gersão : « La victoire contre la mort et l’effacement » ou « Les Lumières comme métaphore de la découverte ». Ou encore, une autobiographie « inventée » éclaire les ténèbres
DOI :
https://doi.org/10.37508/rcl.2026.n56a1435Mots-clés :
Écriture de soi, Mémoire culturelle, Autobiographie fictive, Image survivante, Teolinda Gersão, Roman portugais contemporainRésumé
L’Autobiographie inédite de Martha Freud, de Teolinda Gersão, lauréate du prix APE 2024, est un roman qui explore la mémoire culturelle et l’art de l’archivage. Fruit de trois années et demie de lecture de la correspondance entre Sigmund Freud et ses proches, il a nécessité un examen attentif des documents – reproduits entre guillemets au sein de l’espace fictionnel – et près de trois ans d’écriture. À travers une « écriture de soi », à la première personne, elle choisit le thème du double, s’identifiant à Martha Freud, dans un jeu de miroirs séduisant et incessant qui vise à désacraliser la figure emblématique du « Père » de la psychanalyse. Subvertissant le genre autobiographique traditionnel, le récit s’appuie sur l’acte de penser, où l’espace de l’intériorité et de l’affectivité doit s’exprimer pour exister et échapper à la censure. À travers une « Note initiale », l’auteure dévoile l’objectif de sa démarche : reconstituer le parcours existentiel de Martha Freud, la soustrayant à l’ombre où l’Histoire l’a reléguée. En émergeant de l’obscurité, le personnage féminin s’affranchit des traumatismes passés et accède à la lumière qui lui est due, vivant le « retour de l’enfoui », ce qui la rapproche de la figure de Gradiva et de la nymphe warburgienne théorisée par Didi-Huberman dans L’Image survivante : Histoire de l’art et le temps des fantômes selon Aby Warburg. Les réflexions de Leonor Arfuck, présentes dans Mémoire et autobiografie : explorations en los limites, permettent d’affirmer que le roman se présente comme une forme non canonique, hybride et interstitielle du genre autobiographique.
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© Ângela Beatriz de Carvalho Faria 2026

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